Vejam só!
A Previdência Social, tem um déficit anual de 46 bilhões de reais, porque nela estão também inclusos bens e serviços de saúde pública, que não são cobrados dos contribuintes. Além disso o sistema se caracteriza por possuir uma péssima administração e uma qualidade de atendimento abaixo de qualquer padrão mínimo recomendável.
Na Saúde Suplementar Privada, que inclui, entre outras modalidades, os planos de saúde, isto não pode acontecer, porque a iniciativa privada não tem o Tesouro Nacional para subsidiar os seus possíveis prejuízos, que a fariam consequentemente deixar de atender milhões de brasileiros, que não querem usar a saúde pública, por conta da sua falta de qualidade, e se assim fizessem, agravariam mais ainda o desequilíbrio do sistema público de saúde do nosso país.
Hoje a grita é geral de todas as associações e especialistas da medicina, que querem obrigar os planos de saúde a incluir os seus serviços no novo rol de procedimentos, com retroatividade aos contratos de janeiro de 1999: a ABTO-Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, que segundo Tercio Genzini dos Hospitais Alberto Einstein e Beneficência Portuguesa, de São Paulo, pede para aumentar mais um real na mensalidade e pronto; depois a Associação dos Psicólogos estima em mais R$ 0,50 por pessoa e consultas ilimitadas; temos ainda a Associação Nacional de Cirurgia Plástica que reivindica não só a inclusão de cirurgias reparadoras, como também estéticas, e aí a paciente, quem sabe, talvez queira seios e nádegas maiores do que as de sua vizinha, e por aí vai. Meu Deus, aonde iremos chegar com tanta insensatez!
O que tem que se entender, é que a iniciativa privada tem que ter o livre direito de estabelecer seus planos com preços compatíveis, que possam ser oferecidos aos seus usuários. A decisão de pagá-los ou não é do usuário e sendo assim é ele quem estabelece o preço final.
O que não se pode arriscar é de ter-se milhões de famílias sem acesso a um plano básico, para pelo menos diagnosticar se a sua doença é grave ou não; de poder na calada da noite solicitar uma ambulância e levar seu filho, ainda criança, para uma nebulização, num pronto socorro credenciado. Isto é fundamental para uma população de mais de 14 milhões de brasileiros, que utilizam os serviços dos planos de saúde.
Se conseguirem falir a saúde suplementar privada, só sobreviverão os planos sofisticados e a grande massa da população, hoje atendida pelos planos de saúde, não terá acesso aos mesmos em função do preço, e vai morrer nos corredores dos hospitais públicos, graças à incompetência da ANS-Agência Nacional de Saúde Suplementar ou ao populismo, que neste país mata mais do que o terrorismo.
Não existe dano maior à natureza humana do que deixá-la à própria sorte. É preciso saber por onde se caminha, para se poder caminhar. Tirar-se a bússola da saúde de uma pessoa, é como navegar num rio onde não se vêa catarata, que está a poucos metros de distância. E aí, certamente, grande parte da população, que hoje conta com planos simples e baratos, não sobreviverá ao futuro.
Que a ANS reflita sobre isso e não nos amaldiçoe mais do que já somos vítimas neste mundo de Deus.
Luciano Bivar é Presidente Nacional do Partido Social Liberal PSL |